Tudo aquilo que não se deve resumir





Me viro, reviro, me amasso e me corto.

Me pinto, me apago, me mancho e me colo.

Me adapto, me estrago, conserto e encaixo.

Me descabelo, me estresso, acalmo e acomodo.

Pra viver bem você tem que se ajustar,
tem que pertencer a alguém
tem que pertencer a algum lugar.

Mas e se
tiver que abrir mão
de quem você realmente é
do que você realmente pensa
do que você realmente sente
do que você realmente quer
daquilo que realmente sonha?
Só isso?
Isso é efeito colateral, irmão.



Todos eles parecem tão iguais.

Tudo é tabelado.
Tudo é rotulado.

Mas e se
você não couber
em nenhum daqueles rótulos?
E se tudo o que você quer
é ser deixado em paz?


Você pensa que é melhor não se ligar.
Você pensa que é melhor então nem se apegar
a quem você é. Seu eu de verdade.

E o sentimento de desconcerto nunca se vai. Nem se encolhe. Nem para de incomodar.
Só sabe aumentar.



E pra quê?

Por que tentamos definir algo tão grande
Em legendas tão pequenas?

Porque o ser humano
é estúpido o bastante
pra limitar, restringir e excluir
tudo aquilo que não se deve resumir.